“Ai, dá saudade!”: histórias de Marias na produção e escrita da Revista do Ensino/RS (1951-1994)

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Data
2024-09-23Autor
Gervasio, Simôni Costa Monteiro
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Esta tese busca uma problematização a respeito dos processos de produção e escrita praticados na redação da Revista do Ensino editada no Rio Grande do Sul (1951-1994) a partir da perspectiva das mulheres responsáveis pela condução do
periódico. Considera-se o viés histórico da importância da imprensa de educação e ensino para problematizar “por quem?”, “como?” e “por que?” presentes nas intencionalidades da elaboração do material que objetivava orientar o magistério do período. A proposta de análise está organizada a partir dos conceitos de práticas e representações de Chartier (2002a), de uma adaptação do circuito de comunicação de Darnton (2010) para a Revista do Ensino, e do conceito de intelectuais da educação de (Sirenelli. 2003; Fraga, 2017; Peres, 2019). Trata-se de uma pesquisa no campo da História da Educação que busca investigar as representações de um dado passado como uma forma metodológica de ressignificá-lo. O corpus de análise
está centrado em entrevistas, inspiradas na metodologia da História Oral, com dez mulheres que atuaram no período. Em complementação, foram localizadas informações sobre outras três mulheres importantes para a história da Revista e que
também são apresentadas nesta tese. No segundo momento, as páginas das Revistas foram consultadas e confrontadas com os dados obtidos nas entrevistas para compor a análise documental capaz de evidenciar as intencionalidades presentes na produção e escrita das edições. Antecipadamente, se argumenta que a proposição de um novo olhar para os processos de produção praticados na redação da RE/RS pode ser um caminho para evidenciar aspectos políticos, sociais, econômicos e culturais presentes no cenário educacional gaúcho do período, representando, assim, uma nova possibilidade de interpretação para os conteúdos e marcas textuais presentes nas páginas da Revista do Ensino editada no Rio Grande do Sul, além de ser uma possibilidade de problematização sobre os papéis desempenhados pelas mulheres historicamente atreladas ao sucesso editorial da Revista. Por todo o trabalho executado na redação da RE/RS, revivido por meio das histórias dessas mulheres, passa-se a argumentar por sua compreensão como intelectuais socialmente engajadas, considerando seu envolvimento com o campo educacional, a ampla produção e circulação de conhecimentos e o papel institucional da Revista. Em termos de considerações finais se argumenta que as entrevistas e coletas de dados realizadas foram capazes de evidenciar alguns
processos de produção, escrita e organização praticados e que se refletem nas páginas da Revista para a orientação do magistério no período.