Mecanismos físico-químicos de defesa ao Colletotrichum acutatum em frutos de oliveira produzidos na Região Sul do Uruguai.

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Data
2024-08-26Autor
Antunes, Eva Juimara Ricardo
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Mostrar registro completoResumo
A antracnose da oliveira, causada por Colletotrichum spp., é uma doença fúngica importante nas regiões olivícolas que provoca podridão nos frutos,
comprometendo a produção e a qualidade dos mesmos. O nível de resistência das cultivares varia de acordo com a genética e a fase de maturação dos frutos. Assim, com este estudo teve-se por objetivo identificar o nível de suscetibilidade de quatro cultivares de oliveira (Arbequina, Picual, Frantoio e Manzanilla de Sevilla) ao Colletotrichum acutatum em dois estádios de maturação dos frutos, verdes e maduros. Além disso, buscou-se investigar o papel da espessura da cutícula e do teor de compostos fenólicos totais como mecanismos defensivos envolvidos na suscetibilidade dos frutos à antracnose em dois estádios de maturação, verdes e maduros. O estudo foi conduzido no Instituto Nacional de Investigação Agropecuária - INIA Las Brujas - Departamento de Canelones, Uruguai nos anos de 2023 e 2024. O delineamento experimental foi inteiramente casualizado, com quatro blocos. Os frutos verdes e maduros foram inoculados com solução fúngica de 1x105 esporos/mL-1 e mantidos em incubação durante 15 dias paralelamente com o material controle. Durante este período, o desenvolvimento e a evolução do fungo foram avaliados periodicamente aos 2, 3, 4, 5, 7, 10, 11, 12, 13 e 15 dias após a inoculação, com base na incidência e severidade da doença. Para a análise anatômica da cutícula, os frutos foram seccionados na região equatorial e infiltrados com parafina líquida a 60 ºC com sistema automático de preparação de amostras, tipo carrossel, SLEE MTP. Após a infiltração, os segmentos foram submetidos ao processo de inclusão em parafina utilizando o equipamento modelo YDL-6L da YIDI. Após 24 horas, os segmentos foram cortados em um micrótomo rotativo manual SLEE, Modelo CUT 4062, seguidos pela montagem das lâminas. Posteriormente, as lâminas foram submetidas à coloração com Safranina. As imagens foram obtidas por microscopia óptica e a espessura da cutícula efetuada com o software (livre) Image J. A espessura foi determinada através largura e do comprimento da cutícula dos frutos, tomando-se como base um conjunto de seis células epidérmicas consecutivas. Os compostos fenólicos totais foram quantificados em frutos sadios com espectrofotometria, seguindo a metodologia de FolinCiocalteau. A incidência e a severidade da doença apresentaram variações significativas entre as cultivares no estádio verde. No entanto, em frutos maduros, a severidade da doença foi uniforme entre as cultivares. A suscetibilidade à antracnose variou entre as cultivares nos frutos verdes, enquanto, nos frutos maduros, não foram observadas diferenças significativas. Tanto a espessura da cutícula quanto os compostos fenólicos totais variaram entre as cultivares e os estádios de maturação. Nos frutos verdes, a cultivar Frantoio foi a menos suscetível à antracnose, enquanto Arbequina e Picual apresentaram suscetibilidade moderada, e Manzanilla foi a mais suscetível. Já nos frutos maduros, todas as cultivares foram igualmente suscetíveis. Os mecanismos físico-quimicos não influenciaram na suscetibilidade dos frutos.