Da interação à construção de identidades: os Brics e a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU)
Abstract
O trabalho examina o papel do BRICS na reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU), principalmente, as diferentes posições de seus membros. Enquanto China e Rússia são membros permanentes do CSNU, Brasil, Índia e África
do Sul são fortes aspirantes a um assento. Através da análise das Declarações de Cúpulas do BRICS e dos posicionamentos de China e Rússia nos debates sobre a reforma na ONU, tem-se como objetivo compreender se as identidades e os interesses dos BRICS, em especial de Rússia e China, convergem em prol da reforma no CSNU. As identidades e os interesses dos agentes são definidos por meio da interação social. Assim, mesmo com interesses e identidades divergentes, a interação intra-BRICS inevitavelmente cria identidade e interesses coletivos, que podem influenciar as identidades e interesses individuais. A hipótese geral é de que as diferenças de identidade entre os membros do BRICS realçam o alinhamento estratégico entre China e Rússia, este precedente a criação do BRICS. Assim, apesar da manifestação dentro das cúpulas anuais do BRICS e da convergência de
uma crítica ao sistema multilateral, predominantemente dominado pelo ocidente, China e Rússia não estão dispostas a abrir mão de sua posição atual dentro do CSNU na tentativa de realizar uma reforma e abrir espaço aos seus parceiros do BRICS. O trabalho demonstra que o processo de interação no BRICS influenciou muito pouco nas identidades desses países no que diz respeito à reforma. Mesmo os membros permanentes, apesar de sua parceria de longa data, não apresentam um alinhamento consistente em suas posições no debate sobre a reforma.