Influência da temperatura nos aspectos reprodutivos da oliveira (Olea europaea L.) na região sul do Rio Grande do Sul
Resumo
Diante da importância da olivicultura no Rio Grande do Sul, responsável por aproximadamente 60% da produção nacional, este estudo teve como objetivo determinar os aspectos fenológicos e as exigências térmicas de cultivares de oliveira na Região Sul do Rio Grande do Sul, bem como avaliar os efeitos da temperatura na receptividade estigmática, na germinação do pólen e no crescimento do tubo polínico. Buscou-se, ainda, analisar a aplicação de boro, em diferentes concentrações, para mitigar os efeitos da temperatura sobre esses dois últimos processos. A tese compõem-se de quatro artigos, sendo o primeiro a caracterização fenológica das principais cultivares de oliveira em Dom Pedrito (RS), entre 2015 e 2024, relacionando aos estádios fenológicos e as condições térmicas locais. Foram determinadas a temperatura base inferior (Tb) e a soma térmica acumulada (STa) para cada estádio. Os principais resultados neste artigo foram que as cultivares Arbequina e Koroneiki apresentaram menores valores de Tb e ciclos fenológicos mais longos, enquanto Picual exigiu maior Tb, maior soma térmica acumulada (STa), e completou seu ciclo em menor tempo. No segundo artigo avaliou-se as exigências térmicas de quatro cultivares de oliveira (Arbequina, Koroneiki, Picual e Arbosana) no período de 2015 a 2024, com base nos estádios de brotação e floração. Foram determinadas as horas de frio (HF), unidades de frio (UF) e soma térmica acumulada. A partir dos resultados verificou-se que o acúmulo de frio variou entre 136 e 419 HF, enquanto a STa para a brotação e floração variou entre 61,50 e 242,80°C.dia-1. Arbequina e Koroneiki exigiram menos frio e apresentaram maior STa, já ´Picual´ demandou mais frio e menor STa. Invernos amenos anteciparam os eventos fenológicos, e a insuficiência de frio comprometeu a sincronia floral. O estudo reforça a importância da escolha adequada de cultivares e do manejo térmico para manter a produtividade em regiões subtropicais. No artigo três, avaliou- se os efeitos da temperatura (18 °C e 28 °C) e do tempo de exposição dos estigmas (24; 48; 72 e 96h) sobre a receptividade estigmática em cultivares de oliveira (Arbequina, Koroneiki e Picual), analisando a aderência, germinação do pólen e penetração dos tubos polínicos, realizado sob condições controladas na região Sul do Brasil (2023–2024). Os resultados indicaram que ‘Picual’ apresentou maior estabilidade e desempenho reprodutivo. A 28 °C, observou-se prolongamento da receptividade e maior germinação do pólen. ‘Koroneiki’ e ‘Arbequina’ mostraram maior sensibilidade térmica. Para o artigo quatro, foi avaliado, in vitro, os efeitos de diferentes temperaturas (12°C, 22°C, 25°C e 12-22°C) e concentrações de boro (0; 100; 150; 200; 250 e 300 mg·L⁻¹) na germinação do pólen e crescimento do tubo polínico das cultivares de oliveira Arbequina e Manzanilla. A germinação do pólen e o crescimento do tubo polínico em oliveiras variam conforme temperatura e concentrações de boro. ‘Manzanilla’ tolera baixas temperaturas e exige maiores concentrações; ‘Arbequina’ responde melhor a altas temperaturas e a concentrações moderadas. Doses acima de 200 mg·L⁻¹ são tóxicas, exigindo manejo específico por cultivar.

