Aquilo que projetamos: uma análise discursiva de intervenções artísticas LGBTQIAP+
Resumo
A presente pesquisa tem o objetivo de analisar três projeções mapeadas
LGBTQIAP+ da rede Projetemos enquanto forma de intervenção artística e ativismo
no espaço urbano, a partir da Análise do Discurso Materialista. Sendo assim, nosso
corpus é composto por projeções que articulam a arte, a imagem e a (língua)gem na
(re)produção de sentidos. Nossa análise procura pesquisar, ao abordar questões de
gênero e sexualidade, a maneira como o discurso artístico reproduz relações de
dominação e resistência, funcionando como espaço de contestação às normas
sociais e ideológicas impostas por Aparelhos Ideológicos do Estado (Althusser,
2009). Nosso trabalho aponta como a arte e o corpo, em relação com a atuação da
ideologia em nossa formação social durante a pandemia de Covid-19, se tornam
formas de resistência na luta pela visibilidade e reconhecimento das identidades não
normativas. A circulação dessas projeções, tanto fisicamente quanto nas redes
sociais, amplia sua potência política, reafirmando a arte em sua prática discursiva
capaz de intervir no real, produzir memória e reforçar a luta por reconhecimento e
por dignidade das vivências LGBTQIAP+. No percurso analítico, mobilizamos
conceitos da Análise do Discurso Materialista para compreender o conjunto de
sentidos possíveis que, em sua historicidade, regulam o que pode ou não ser dito
(Pêcheux, 2014). Destacamos a noção de interdiscurso, que se refere ao já-dito que
sustenta e atravessa todo dizer, constituindo a memória discursiva. A análise busca
destacar também o funcionamento da linguagem em sua heterogeneidade
constitutiva enquanto lugar ocupado pelo sujeito no interior das formações
discursivas, que determinam as possibilidades de significação. Além disso, tomamos
em análise o funcionamento da ideologia nas projeções ao interpelar os indivíduos
em sujeitos sustentando relações de dominação e permitindo a emergência de
processos de resistência.

