Efeito do uso de bioestimulante, associado ou não a inseticida e fungicida, em tratamento de sementes de soja semeadas na safrinha
Resumo
A cultura da soja (Glycine max (L.) Merrill) é a principal espécie agrícola do Brasil em área cultivada e volume de produção, sendo que o estado do Rio Grande do Sul representou 16% da área semeada no país na última safra. Para seguir crescendo na produção de soja, será necessária uma oferta cada vez maior de sementes na diversidade, quantidade, qualidade e no momento desejado. Isso exigirá que os sementeiros adotem estratégias diferenciadas para atenderem à demanda crescente e, ao mesmo tempo, mantendo a sua eficiência e sustentabilidade. Dentre essas práticas, destaca-se o tratamento de sementes com inseticidas e fungicidas, e o uso de bioestimulantes buscando maior desenvolvimento inicial da cultura e proteção contra estresses abióticos. Tiametoxam, um inseticida cuja ação bioativadora já tem sido amplamente relatada, e os brassinosteroides, hormônios vegetais ligados ao crescimento das plantas, são exemplos de produtos que podem ser usados no tratamento de sementes da soja para esse fim. Além disso, a semeadura na safrinha, embora considerada um prática controversa, vem ganhando força em alguns estados com objetivo de aumentar a produção de sementes. O objetivo deste trabalho, portanto, foi avaliar o efeito do tratamento de sementes (TS) com inseticida (I), fungicida (F) e bioestimulante (BE) no desenvolvimento e produtividade da soja semeada na safrinha. Para tanto, foi instalado um experimento em Passo Fundo -RS, semeado em 22/01/19 com duas cultivares de soja, SYN 1363 e TMG 7063, cada uma recebendo diferentes combinações do inseticida Cruiser® 350 FS, do fungicida Maxim® XL e do bioestimulante EpivioTM Vigor, como segue: (1) SEM TS; (2) BE; (3) BE+I; (4) BE+F e (5) BE+I+F. Avaliou-se a emergência a campo, dano causado por Diabrotica speciosa, altura de plantas, cobertura de solo por plantas daninhas, fechamento de entre linhas, rendimento e germinação das sementes colhidas. Concluiu-se que não houve diferença na emergência a campo, infestação de plantas daninhas e germinação das sementes colhidas para qualquer um dos tratamentos nas duas cultivares de soja. Por outro lado, o uso de bioestimulante, principalmente associado ao Tiametoxam, proporcionou maior altura de plantas, fechamento de entre linhas e rendimento de colheita. O melhor resultado obtido foi com a mistura tripla de BE+I+F. Também foi possível concluir que o efeito do bioestimulante no desempenho agronômico da soja depende da cultivar utilizada , sendo que a cultivar menos adaptada às condições de safrinha respondeu melhor ao bioestimulante, quer seja isolado ou em combinação com inseticida e fungicida. A cultivar TMG 7063 foi superior à SYN 1363 nas condições deste experimento.

