Pesquisa e forma-ação: a/r/tografias em narrativas de trajetórias formativas de pesquisadoras
Resumo
A formação de pesquisadoras e pesquisadores é tradicionalmente debatida a partir de seus aspectos técnicos e objetivos, como o rigor científico, conhecimento técnico, produção e desempenho acadêmico. Todavia, elementos como motivação, desejo, percepções, sensações, relações e afetos são fatores subjetivos que marcam a construção identitária e impactam na trajetória e permanência para a carreira acadêmica, e que permanecem à margem da discussão sobre formação de pesquisadores, em especial no campo da Educação. A partir desta reflexão, este trabalho busca responder à seguinte questão: como as narrativas de pesquisadoras e pesquisadores estruturam a dimensão ética-estética da formação para a pesquisa em Programas de Pós-Graduação em Educação? Esta dissertação, vinculada à linha de pesquisa 4 - Formação de Professores, Ensino, Processos e Práticas Educativas, do curso de Mestrado da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), propõe refletir sobre formação para a pesquisa, considerando tanto as experiências acadêmicas formais quanto as vivências na trajetória formativa. Com base na metodologia autobiográfica (Josso, 2002; 2010) e inspirada pela a/r/tografia (Irwin, 2023), foi desenvolvida uma pesquisa qualitativa a partir da entrevista narrativa de cinco pesquisadoras em processo de formação nos cursos de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande – FURG e de Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), no ano de 2024. Nesta perspectiva, compreende-se a noção de que as narrativas de formação possuem uma potência estética que, quando explorada, compõe uma outra materialidade para a pesquisa e ao aproximar os campos da arte e da educação, estas possuem uma força que vai além da escrita, incorporando também o visual. Durante o desenvolvimento desta pesquisa, as práticas artísticas pedagógicas foram compreendidas como formas de produção de sentido de si (Zamperetti, 2012). Os resultados indicam que a construção da identidade de pesquisadoras e pesquisadores é marcada pelas relações com pares, orientadoras e orientadores que são estabelecidas em sua trajetória formativa, bem como a relação com a própria temática de pesquisa e seu impulso desejante que pode ser pessoal e/ou profissional. Além disso, evidenciou-se a importância dos espaços de escuta e de redes de apoio para a permanência no processo de autoformação. Mais do que buscar respostas, esta pesquisa foi um exercício à escuta e a atenção ao/no/para o processo de formação. Conclui-se que refletir sobre o processo de formação para a pesquisa requer uma atenção consciente e um exercício diário de sensibilidade e de abertura que, quando posto em prática, mostra a importância de se produzirem pesquisas que dialoguem com a formação de pesquisadoras e pesquisadores para que, além das metas de produtividade, possa-se fomentar uma prática de pesquisa mais sensível e humanizada.

