Cartografias de um rabisco-monstro: a potencialidade política do brincar e da brincadeira apesar de
Resumo
A presente pesquisa consiste na experiência de um exercício cartográfico, tendo como território de imersão os fragmentos de registros sobre o brincar e a brincadeira infantil, os quais persistem, apesar das tentativas de restrição impostas pela cisheteronormatividade. Esses registros, por sua vez, têm caráter ficcional e se ancoram em experiências cotidianas, observacionais e vivenciais da própria autora - ainda que transformadas. O fio condutor do texto, ancorado no método da cartografia, e, mais especificamente, na cartografia infantil, é construído a partir do impacto do encontro com os registros e seus desdobramentos. Como eixo central da discussão, propomos uma reflexão teórica e situada acerca do conceito de brincar, a partir do psicanalista Donald Winnicott, tecendo um diálogo com proposições teóricas de Jean Laplanche, também psicanalista. Destacamos a potencialidade política do brincar e da brincadeira infantil dissidente, bem como a tentativa de sua aniquilação como estratégia de controle e normatização. Além disso, construímos e narramos nossa pesquisa em coautoria com o monstrinho - um personagem da infância e do infantil - que nos auxilia a cartografar os registros infantis e a brincar com o texto.

