Associação Sul Rio-Grandense de professores: um nicho de desenvolvimento da consciência de classe docente em Pelotas (1929-1979)
Resumo
Partindo da premissa de que as associações mutualistas promoveram também a tão
perseguida (e muitas vezes distorcida) consciência de classe, esta tese tem como
objetivo analisar o processo histórico da Associação Sul-Riograndense de
Professores (ASRP), desde sua fundação nos anos 20 do século passado até a
década de 1980. As fontes utilizadas foram os jornais locais, as atas de reuniões, os
relatórios anuais da ASRP, as atas do 24º núcleo do Centro dos Professores do
Estado do Rio grande do Sul (CPERS), além de fotografias e objetos da ASRP, tais
como bandeira, flâmula, etc. Além da pesquisa documental, recorreu-se à história
oral no que concerne aos seus instrumentos para a captação de fontes. Dessa
forma, trabalhou-se categorias derivadas da sociologia do trabalho e, mais
especificamente, do trabalho docente, tais como classe, experiência de classe,
consciência de classe, identidade profissional, qualificação profissional, etc.
Basicamente a ASRP é criada devido ao aumento de escolas e professores na
região de Pelotas no início do século passado; devido à insegurança de direitos em
que a profissão docente se configurava nos anos de 1920, os professores no intento
de organizarem a classe, fundam esta associação, que seria a primeira da região sul
do Rio Grande do Sul. Ao longo de sua existência, pode-se verificar que a ASRP
não era apenas uma “ação entre amigos”, como posteriormente será acusada pelo
chamado “sindicalismo docente vermelho”, mas sim uma entidade que reuniu a
classe docente de Pelotas e região, e lutou por esta classe, sempre procurando
resguardar seu status material e moral, reformando sem revolucionar. Atrelados à
elevação da classe dos professores surgem os esforços da ASRP em corroborar
com o processo de profissionalização docente que ocorria na cidade de Pelotas e
região ao longo do século XX, cujos cursos e palestras lhe renderam o título de
“Instituição de Utilidade Pública”. Nos anos 70, porém, com a criação da Faculdade
de Educação (FaE) da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), a ASRP perde este
espaço devido a função de formação/ qualificação docente ser legitimada como
sendo da UFPel, e não mais da ASRP. Consequentemente, no final da década de
1970 e início da década de 1980, a ASRP declina até perder todas as características
e intenções de quando foi fundada. Por fim, conclui-se que, devido a uma mudança
nos vários perfis do professorado pelotense, a ASRP, ao congregar diversas
experiências de classe docente, entrou em crise de identidade; a opção por
conservar os valores e princípios de sua história deslocou-a para uma situação de
constante relutância ao decesso, que perdura até hoje. Com o declínio da ASRP,
extinguiu-se sua característica que mais saltava aos olhos e que as entidades que a
sucederam não foram capazes de conservar, que é o poder de agregar além da
esfera econômica, como revelam as falas dos entrevistados
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