Alvorecer da esperança: dos diálogos entre círculos de cultura, Ondjango e Otchiwo à educação libertadora em angola – o caso ovimbundu na Ganda/Benguela.
Resumo
Esta tese reflete sobre a relação dialógico-pedagógica entre os Círculos de Cultura do
Brasil com o Ondjango e Otchiwo do grupo etnolinguístico Ovimbundu em
Ganda/Benguela-Angola, para pensar a educação libertadora em Angola. Daí, a razão de
ser da idéia: “Alvorecer da Esperança”. Trata-se de repensar uma educação
ondjangotchiwiana proporcionadora de mudanças substanciais, lutadora pela
democratização efetiva, promotora da universalização dos direitos e superadora dos
resquícios das culturas e das pedagogias do “amém” ainda presentes na realidade
angolana: desigual, autoritarista, excludente e sexista. Para o efeito, a partir dos estudos
desenvolvidos no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal
de Pelotas, na Linha de Pesquisa Filosofia e História da Educação e no Grupo de
Pesquisa Filosofia, Educação e Práxis Social (FEPráxiS) buscamos, do elenco das
pedagogias encontradas nos três ideários pedagógicos, indicadores conducentes à
educação acima proposta: o diálogo, a participação e a liberdade. Diante dessa proposta
surgiu a seguinte hipótese: revitalizadas pelos diálogos com os Círculos de Cultura, as
pedagogias do Ondjango e do Otchiwo podem impulsionar uma educação libertadora
em Angola, desde o mundo dos Ovimbundu, capaz de lutar contra os resquícios da
cultura e da pedagogia do amém, ainda presentes no mundo angolano. Para a efetivação
do estudo aqui proposto tivemos como referências principais, Freire, Nunes, Altuna,
Kavaya e vários autores de reconhecimento nacional e internacional. Para submeter a
presente investigação sob debate público, buscamos dois campos para o debate
investigativo: Ganda/Angola e Unisinos/Brasil. Em Angola, num trabalho árduo com
dois interlocutores primários (um homem e uma mulher) e outros informantes
secundários, com o objetivo de compreender melhor o ondjango (espaço dialógico
masculino) e otchiwo (espaço dialógico feminino), usamos como artefatos os diálogos
participantes ensinantes/aprendentes, as fotografias, os vídeos e os áudios. No Brasil,
através de estudos realizados na Unisinos, ligados à Linha de Pesquisa Educação e
Processos de Exclusão Social, a proposta foi vivenciar a atualidade dos Círculos de
Cultura. Tanto em Angola quanto no Brasil, foi possível concluir que os elementoschave
para uma educação libertadora são: o diálogo, a participação e a liberdade. Assim,
foi possível confirmar a hipótese inicial segundo a qual, revitalizadas pelos diálogos
com os Círculos de Cultura, as pedagogias do Ondjango e do Otchiwo, manifestadas
através do diálogo, da participação e da liberdade, podem impulsionar uma educação
como prática da liberdade em Angola, desde o mundo dos povos Ovimbundu em
Ganda-Benguela, capaz, assim, de lutar contra os resquícios da cultura e das pedagogias
do amém, ainda presentes em Angola, manifestas por desigualdades prementes,
autoritarismos sutis, sob capa de cordeiro, exclusão explícita e sexismo patológico.
Durante todo o tempo da pesquisa, a fenomenologia hermenêutico-dialógica e
ondjangotchiwiana constituíram o método para a compreensão densa da realidade
angolana e discussão das possibilidades e limites dos ideários pedagógicos aqui
pesquisados.
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