A aprendizagem da ortografia e o uso de estratégias metacognitivas.
Resumo
Este trabalho apresenta o resultado de uma pesquisa sobre o uso de
estratégias metacognitivas no processo de aprendizagem da ortografia de uma
turma de segunda série do Ensino Fundamental de uma Escola Particular da cidade
de Pelotas. A ortografia possui diversas facetas que devem ser consideradas pela
criança, pois suas regras não são da mesma natureza e envolvem diferentes
competências para sua aquisição. Em alguns momentos, a criança precisará atentar
para a posição de determinada letra na palavra, em outros, precisará observar a
morfologia da palavra, dentre outros aspectos. Em conseqüência disso, foi proposta
uma intervenção que privilegia a reflexão e a explicitação de pensamentos bem
como o uso de estratégias metacognitivas. As atividades propostas que visavam o
uso de estratégias metacognitivas tiveram como foco os erros relacionados às
motivações fonéticas e fonológicas, às correspondências regulares contextuais e às
correspondências irregulares que se verificam entre as letras e os sons do sistema
ortográfico. O erro ortográfico, nesse estudo, é considerado construtivo e importante
para o processo de aquisição, pois indica as hipóteses que a criança tem a respeito
de como se estrutura o conhecimento ortográfico. Os objetivos centrais desse
estudo consistem em: a) descrever e analisar a evolução dos erros ortográficos
encontrados nas produções textuais das crianças, os quais são classificados com
base em três categorias (categoria 1 - motivação fonética e fonológica; categoria 2 -
não observância de regras contextuais; e categoria 3 - irregularidade do sistema
ortográfico); e b) avaliar os efeitos das atividades metacognitivas desenvolvidas
sobre a performance ortográfica das crianças. Os resultados encontrados têm
mostrado que os erros pertencentes à primeira categoria deixam de ser observados
a partir das primeiras intervenções; os da categoria 2 apresentam uma crescente
redução no número de ocorrências à medida que as atividades de metacognição vão
sendo desenvolvidas e as crianças passam a construir regras que regulam o uso da
ortografia; já os erros que se enquadram na categoria 3, embora passem a ser
encontrados com menor freqüência, são aqueles que se mostram mais persistentes
à intervenção, uma vez que demandam também o uso de estratégias mnemônicas.
É importante salientar que os resultados revelam uma clara influência positiva das atividades reflexivas para a ampliação do conhecimento ortográfico das crianças
estudadas, o que se manifesta tanto nas produções textuais espontâneas como nas
explicitações verbais das crianças em relação aos erros e à norma ortográfica.
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