Intoxicação experimental por Ramaria flavobrunnescens em bovinos: estudo da patogenia
Resumo
Com o objetivo de estudar a patogenia das lesões que ocorrem nos cascos, na língua e na
pele da cauda de bovinos intoxicados por Ramaria flavo-brunnescens, este cogumelo foi
triturado em liquidificador imediatamente após a coleta entre março e maio de 2004, e
administrado, através de sonda oro-gástrica, a três bovinos da raça Jersey com 9-10 meses
de idade. A dose diária administrada foi de aproximadamente 20g/kg de peso vivo durante 7
(1 bovino) e 13 dias (2 bovinos), perfazendo totais de 140, 268 e 261g/kg de peso vivo a
cada animal, respectivamente. Após a administração do cogumelo os bovinos recebiam
ração comercial na dose de 1% do peso corporal e água a vontade e permaneciam em um
potreiro de campo nativo. Um bovino de mesma raça e idade foi utilizado como controle. Os
sinais clínicos observados nos bovinos intoxicados, caracterizaram-se por apatia, anorexia,
hiperemia da mucosa oral, alisamento da superfície dorsal da língua, hipersensibilidade dos
cascos e queda dos pêlos longos da cauda quando levemente tracionados. Os animais
foram eutanasiados e necropsiados no 8º (1 bovino) e no 15º dias (2 bovinos) após o início
do experimento, juntamente com o controle. Histologicamente observou-se o epitélio da
superfície dorsal da língua estreito com ausência das papilas filiformes, vacuolização dos
queratinócitos e desprendimento da superfície queratinizada. Na região laminar do casco
observou-se vacuolização das lâminas epidérmicas, hiperplasia dos queratinócitos e
queratinização irregular e flocular. Na pele da cauda observou-se hiperqueratose
ortoqueratótica e vacuolização da bainha radicular externa e espessamento da queratina
tricolemal e infiltrado inflamatório mononuclear ao redor dos folículos. No estudo
imunoistoquímico utilizando os anticorpos policlonal anti-(pan)citoqueratina e para
marcação da proliferação celular o anticorpo primário monoclonal anti-Ki-67, não foram
observadas diferenças entre o epitélio da superfície dorsal da língua dos três bovinos
intoxicados e o do bovino controle. No estudo por microscopia eletrônica observou-se
diminuição dos tonofilamentos e espaços intercelulares acentuadamente dilatados.
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