Uma análise discursiva sobre o repetível: as manifestações intervencionistas de 2020/2021 e os saberes da ditadura militar
Resumo
A aproximação dos saberes entre o regime ditatorial militar e as
manifestações intervencionistas após as eleições de 2018 colocam em jogo o
repetível na ordem da história e do discurso. Em vista disso, trabalhamos ao longo
do presente trabalho com as relações entre a censura, o controle dos Aparelhos
Ideológicos de Estado e a constituição da memória social brasileira, a qual, por
recalcar os dizeres oposicionistas à ditadura, reforçam um imaginário positivo
associado aos militares que permite a repetição da reivindicação por intervenção
militar. Ao fazermos o batimento entre os enunciados da Marcha da Família com
Deus e pela Liberdade de 1964 e das manifestações intervencionistas de
2020/2021, percebemos a regularidade dos atravessamentos do anticomunismo nos
enunciados, de forma que, no percurso análitico, percebemos a reatualização dos
elementos da Formação Discursiva Anticomunista alinhada aos movimentos que
visam a intervenção militar. Nossa pretensão, ao longo deste trabalho, é proceder a
uma reflexão sobre a fragilidade de nossa democracia que coloca em jogo, diante
das crises políticas, a possibilidade de instauração de um regime militar, o que
corrobora com a afirmação de que as marcas da ditadura militar seguem fazendo
eco na prática política brasileira e seus sentidos seguem permanentemente em
disputa.