Porta-enxertos para pereira (Pyrus sp.): implicações sobre a dormência, biologia floral e conteúdo de carboidratos.
Resumo
O abortamento floral em pereira é o principal problema que limita o desenvolvimento
da pereira no Brasil, caracterizado por um complexo de fatores fisiológicos,
fitossanitários, genético e ambiental. O porta-enxerto, objeto central deste trabalho,
pode ser um fator que tem contribuído para aumentar tal problema, pois a cultura da
pereira se baseou, ao longo das últimas três décadas, no uso dos porta-enxertos Pyrus
calleryana e P. betulaefolia. A partir de 2000 os produtores do RS e SC passaram a
utilizar os marmeleiros, principalmente o Adams e EMC , obtendo resultados
satisfatórios. Em geral esses porta-enxertos são mais sensíveis ao estresse hídrico, por
apresentarem sistema radicular pouco desenvolvido. Entretanto se desconhece a
influência dos mesmos na fisiologia da dormência, na mobilização de carboidratos
durante o inverno e na biologia floral. Para atingir tais objetivos foram conduzidos
cinco experimentos entre 2005 e 2007, sendo parte deles conduzidos em pomar
comercial, na empresa Frutirol, em Vacaria-RS, e em condições controladas, na
Embrapa Clima Temperados, em Pelotas-RS. A tese possui seis capítulos, sendo o
primeiro uma caracterização e revisão bibliográfica geral do assunto e os demais cinco
artigos científicos. O primeiro artigo teve como objetivo avaliar a dinâmica da
dormência, através do uso do método biológico, de duas cultivares de pereira a Abate
Fetel e a Packham´s Triumph enxertadas em marmeleiros EMC e Adams . O
segundo visou determinar a concentração de carboidratos solúveis e amido. O terceiro
teve por objetivo o estudo da biologia floral. O quarto artigo, conduzido em condições
controladas, com plantas em vasos, tratou da determinação da exigência em frio dos
porta-enxertos de marmeleiros EMC , EMA e Adams , além dos porta-enxertos do
gênero Pyrus (Pyrus calleryana e P. betulaefolia). O quinto artigo, também em
condições controladas, visou determinar o efeito do frio em plantas conduzidas em vaso
nas cvs. Kieffer e Packham´s Triumph, enxertadas em Adams , EMC , EMA e
Pyrus betulaefolia . Conclui-se que a mobilização de açúcares e amido e a biologia
floral são influenciadas pelo tipo de porta-enxerto, mas não alterou a dinâmica da
dormência. Nos experimentos conduzidos com plantas em vaso, foi possível identificar
que os marmeleiros Adams , EMA e EMC possuem requerimento em frio maior do
que P.calleryana e P. betulaefolia. O porta-enxerto utilizado altera a percentagem de
brotação da cultivar copa, devido a redução do requerimento em frio ou calor. Por fim,
identificou-se que o maior acúmulo de frio aumentou a brotação e reduziu a incidência
de abortamento de gemas florais, mas somente até suprir o requerimento das plantas;
quando em excesso foi prejudicial.