Caracterização morfológica e análise da expressão gênica em arroz (Oryza sativa L.) sob estresse por ferro.
Abstract
A toxidez por ferro é um dos mais importantes estresses abióticos a limitar a
produção de arroz irrigado em nível mundial. Este estudo foi realizado com o objetivo
de caracterizar genótipos de arroz irrigado quanto a tolerância ao estresse por Fe2+
sob condições controladas, viabilizando o sistema de cultivo hidropônico para esta
finalidade. Além disso, analisar o perfil de expressão de genes envolvidos na
homeostase do metal em plantas, através da técnica de qRT-PCR. Foi verificada a
interferência da utilização do agente quelante (EDTA) na caracterização dos
genótipos; analisado o efeito do tempo de exposição a toxidez (0, 3, 6, 9 e 12 dias)
sob o crescimento das plântulas; caracterizados genótipos de arroz ( BRS-Agrisul,
Epagri 108, BR-IRGA 409, BR-IRGA 410 e Nipponbare) quanto a tolerância a
toxidez por Fe2+ e por fim realizada a análise de expressão dos genes OsFDRL1,
OsNRAMP1 e OsNRAMP2 nos tempos 0; 6; 12; 18 e 24h sob estresse por Fe2+. Foi
verificado que o Fe2+ na sua forma livre sem Na2EDTA é acumulado em maior
concentração na parte aérea de plântulas de arroz do que quando este se apresenta
quelado na forma de Fe-EDTA. A toxidez por ferro interferiu negativamente sobre o
desenvolvimento do CR e CPA, sendo o CR a variável mais afetada. O aumento do
tempo de estresse resultou no incremento do acúmulo de ferro na parte aérea das
plântulas. O sistema hidropônico demonstrou eficiência na caracterização de
genótipos quanto a tolerância a toxidez por ferro. Genótipos caracterizados como
sensíveis a toxidez por ferro neste estudo, BR-IRGA 409 e Nipponbare foram os que
apresentaram o maior acúmulo de Fe2+ na parte aérea. Genótipos caracterizados
como moderadamente tolerantes e tolerantes também acumularam elevados teores
do íon metálico. O aumento do acúmulo de Fe2+ nos tecidos sob condição de
excesso do íon na solução apresentou correlação com o aumento de Zn e Mn
nestes mesmos tecidos. Constituições genéticas contrastantes quanto a tolerância a
toxidez por ferro apresentam expressão diferencial dos genes OsFRDL1,
OsNRAMP1 e OsNRAMP2 envolvidos na homeostase do metal.