Comportamento fenológico e produtivo das cultivares de pessegueiro chimarrita e granada em diferentes porta enxertos nos três primeiro anos de implantação
Resumo
O pessegueiro é uma espécie cultivada desde o Rio Grande do Sul até o
Estado sul da Bahia, adaptando-se às diferentes condições ambientais, sendo
cultivada em zonas temperadas e subtropicais. Esta cultura se desenvolve em
regiões com latitudes entre 32º S e 45º N.
Dentre as regiões produtoras do Estado do Rio Grande do Sul têm-se
destacado as regiões de Pelotas, Porto Alegre e da Serra gaúcha. Na região da
Serra Gaúcha cultiva-se a videira principalmente para a industrialização de vinhos e
derivados: a macieira destinada para o mercado interno e exportação e o pêssego
mesa. Na grande Porto Alegre, a produção de pêssego de mesa e ameixa é
destinada aos mercados locais. Na região de Pelotas, a mais de cinqüenta anos, a
cultura do pessegueiro tem se direcionado à produção de pêssegos para atender a
indústria regional.
Pela falta de regularidade da temperatura e de chuvas nos últimos anos,
principalmente no período que antecede a floração, entre o final do outono e início
inverno, tem-se observado floração e brotação desuni forme, baixa qualidade das
frutas e a baixa produtividade de pêssego na Região de Pelotas.
Os programas de melhoramento genético do pessegueiro tem-se concentrado
no desenvolvimento de variedades copa e deixado à questão do porta-enxerto a
segundo plano.
A escolha dos porta-enxerto pode contribuir para a regularidade da produção
e para superação de fatores abióticos.
Desta forma, o presente trabalho teve como objetivos: a) avaliar o
desenvolvimento vegetativo, peso médio das frutas, eficiência produtiva, sólidos
solúveis totais (SST), firmeza de polpa e coloração das frutas da cultivar Chimarrita
enxertada nos porta-enxerto Aldrighi , Capdeboscq , GF305 , Okinawa e Tsukuba
1 ; b) avaliar a época da queda das folhas, época de brotação, período de floração,
frutificação efetiva e período de colheita de pêssego da cultivar Chimarrita enxertada
em cinco diferentes porta-enxerto; c) avaliar o desenvolvimento vegetativo da cultivar
Granada enxertada em três diferentes porta-enxerto ( Adrighi , Capdeboscq e
Okinawa ) obtidos por alporquia e por sementes; e d) avaliar a época de queda das
folhas, início de brotação, período de floração, densidade floral, frutificação efetiva,
início da colheita, intervalo de maturação e período de colheita das frutas da cultivar
Granada enxertadas em três porta-enxerto obtidos por sementes e alporquia.
Os resultados obtidos nos quatro experimentos permitem concluir que: a) o
porta-enxerto Capdeboscq e Okinawa induziram maior desenvolvimento vegetativo
na cultivar Chimarrita. O porta-enxerto Okinawa induziu maior rendimento produtivo
na cultivar Chiamarrita, enquanto que Capdeboscq apresentou frutas de maior
tamanho. (O porta-enxerto GF305 induziu o menor desenvolvimento vegetativo e
mais baixa produtividade na cultivar e o porta-enxerto Tsukuba 1 proporcionou
frutas de melhor coloração em Chimarrita nas condições em que foi instalado
experimento b) Os porta-enxerto Capdeboscq e Okinawa prolongaram a
permanência de folhas e o início de brotação mais tardia na cultivar Chimarrita. O
porta-enxerto Okinawa retardou a plena floração e obteve a maior eficiência
produtiva da cultivar Chimarrita no ano de 2005, enquanto que os porta-enxerto
Aldrighi , GF305 e Okinawa anteciparam o iníncio da colheita das frutas da cultivar
Chimarrita; c) O porta-enxerto Capdeboscq obtido de semente proporcionou maior
crescimento vegetativo na cultivar Granada, enquanto que o Okinawa teve a maior
produtividade no primeiro ano de colheita de pêssegos. Os porta-enxerto
Capdeboscq e Okinawa apresentaram a melhor resposta no retardamento
da queda das folhas; d) Os porta-enxerto obtidos por alporquia antecipou a colheita,
com exceção de Aldrigui quando comparado aos obtidos de sementes. portaenxerto
obtidos por alporquia mostrou melhor resposta na relação entre a
floral e a frutificação efetiva em relação aos porta-enxerto de sementes.