Produção, fenologia e qualidade dos frutos de Butia capitata em populações de Santa Vitória do Palmar
Resumo
As espécies da família Arecaceae apresentam grande importância econômica e são
exploradas comercialmente na produção de óleo, amido, palmito, ceras, fibras e
como fonte de alimento. A espécie Butia capitata produz frutos comestíveis com
potencial de exploração da polpa, que pode ser consumida ao natural ou na forma
de sorvete, suco, licor e doce. Pouca pesquisa existe a respeito desta espécie,
tornando-se um grande desafio encontrar e melhorar os acessos com potencial
econômico. Nesse sentido, o objetivo deste trabalho foi avaliar a fenologia,
caracteres relacionados à produção além de atributos físicos, químicos e funcionais
dos frutos de distintas populações, com características viáveis para exploração
comercial. Os experimentos foram conduzidos no município de Santa Vitória do
Palmar. Os dados utilizados no primeiro artigo foram obtidos em duas safras,
2005/2006 e 2006/2007, em três populações distintas de butiazeiros, utilizando-se
seis plantas de cada uma delas, com amostras de 50 frutos de cada cacho
produzido. O segundo artigo foi dividido em dois experimentos, no primeiro, foram
selecionados, ao acaso, dez genótipos de butiazeiro, sendo avaliadas características
da inflorescência. Para isso, cada inflorescência foi dividida em três porções, basal,
mediana e apical, sendo avaliadas oito ráquilas de cada região. No segundo
experimento, foram selecionados, ao acaso, seis indivíduos adultos de cada uma
das quatro populações de butiazeiros, que foram visitados regularmente para coleta
de dados, durante duas safras. Os dados do terceiro artigo foram coletados através
de amostras de frutos de quatro populações de butiazeiro, com seis genótipos
distintos em cada população, sendo verificadas as possíveis diferenças entre as
populações e entre os genótipos dentro de cada população. Foi verificado que as
populações de Butia capitata avaliadas apresentam variabilidade para duração do
ciclo, coloração da epiderme dos frutos, volume de suco produzido, relação entre
sólidos solúveis totais e acidez total titulável, características biométricas de fruto e
produtividade anual. Uma das três populações avaliadas se destaca em termos de
produtividade e rendimento industrial. Duas dessas populações apresentam
melhores características biométricas de fruto. Outra população apresenta a melhor
relação entre sólidos solúveis totais e acidez total titulável. O período de floração do
butiazeiro ocorre de novembro a março, sendo que o seu pico ocorre na primeira
quinzena de janeiro e a colheita ocorre de fevereiro a junho, sendo o pico durante o
mês de março, podendo também ser observado que uma das populações apresenta
colheita mais tardia. Existem diferenças entre genótipos, considerando as três
porções da inflorescência, para as características número de flores masculinas,
números de flores femininas, relação entre flores masculinas e femininas e
comprimento de ráquila. Para a maioria dos genótipos, a parte basal da
inflorescência é a que apresenta a maior quantidade de flores femininas. Há uma
relação média de 14,84 flores masculinas para cada flor feminina. Na avaliação do
percentual de cachos que efetivamente atingiram ponto de maturação verificou-se
um valor médio de 90,31%. Dentro de cada população, há variabilidade genética,
entre os indivíduos, para o conteúdo de carotenóides totais e ácido L-ascórbico. Os
conteúdos médios de ß- caroteno e ácido L-ascórbico, no butiá, são de 24,23μg.g-1 e
39,13mg.100g-1, respectivamente.

