A recepção da tragédia Antígona, de Sófocles, na montagem de Luiz Paulo Vasconcellos
Resumo
Esta dissertação de mestrado utiliza os pressupostos da Estética da Recepção como instrumento de análise da montagem de Antígona, do diretor Luiz Paulo Vasconcellos, realizada em Porto Alegre, em 1979, sob o jugo de uma ditadura militar. Hans Robert Jauss, expoente máximo dessa corrente teórica, concebe a relação entre leitor e literatura baseando-se no caráter estético e histórico da mesma. O autor dirige suas pesquisas tendo como ideia norteadora a reconstrução do processo histórico de cada obra; nesse processo, o leitor é peça imprescindível, pois figura como responsável pela mediação entre o passado e o presente. Para
Jauss, é na mudança constante do horizonte de expectativa do leitor que se inscreve a evolução da história da literatura. Dessa forma, a obra literária possibilita ao leitor desenvolver uma consciência crítica em relação a seus valores e perspectivas habituais, além de possibilitar a ampliação de seus horizontes na práxis histórica. Para tanto, realizou-se uma pesquisa de ordem bibliográfica e documental. A base
teórica do trabalho contempla nomes como Hans Robert Jauss, Luiz Costa Lima, Junito de Souza Brandão, Albin Leski, Gerd Bornheim, Clóvis Dias Massa, entre outros. Além disso, realiza-se uma abordagem qualitativa mediante análise das
entrevistas com o diretor Luiz Paulo Vasconcellos e com a atriz Sandra Dani, bem como a análise de críticas, reportagens e entrevistas publicadas pela imprensa da época. A análise resultante deste estudo verifica qual a posição dos entrevistados e da crítica jornalística e demarca a relação entre o horizonte de expectativa destes e a recepção da obra sofocleana. Nesse sentido, a pesquisa revela que a encenação
teatral em tempos de exceção proporciona um momento único de reflexão e resistência, pois oportuniza ao público ampliar a visão e a compreensão do tempo histórico do qual faz parte.