Ditongos Fonéticos: a interferência da língua falada na escrita de alunos da zona urbana e da zona rural de São José do Norte
Abstract
O presente trabalho investiga o processo de aquisição da escrita dos ditongos orais decrescentes [aj], [ej] e [ow] na cidade de São José do Norte/RS, assim como a relação que se estabelece entre língua falada e língua escrita nesse processo.Os sujeitos pertencem às turmas da 1ª, 2ª, 3ª e 6ª série de duas escolas públicas, uma da zona urbana e outra da zona rural. Foram elaborados três instrumentos de coleta de dados, sendo um para a coleta oral e dois para a coleta escrita. O instrumento da coleta oral contém 62 figuras que foram apresentadas a cada sujeito por meio de um computador. Quanto à coleta escrita, um instrumento foi elaborado para os alunos da 1ª, 2ª e 3a séries e o outro
para os alunos da 6ª série. Aos alunos da 1ª, 2ª e 3a séries, o instrumento continha as imagens das figuras mostradas a eles no computador anteriormente, para que escrevessem palavras sobre essas figuras.Para os alunos da 6ª série, o instrumento
apresentava frases com espaços em branco, para que fosse completado o sentido de cada uma.As palavras da coleta escrita foram, portanto, as mesmas trabalhadas na oralidade.
Foram investigadas variáveis linguísticas, como contexto fonológico seguinte, categoria morfológica e tonicidade, assim como variáveis extralinguísticas, como série, sexo e zona da escola a fim de investigar a influência destas no processo de aquisição gráfica dos respectivos ditongos. A descrição dos dados foi realizada por meio de percentuais referentes à produção e à supressão das semivogais desses ditongos. Acrescentamos, na análise dos dados, resultados estatísticos, por meio da aplicação do programa SPSS v.17.0, a fim de estender os resultados da pesquisa a uma amostra mais ampla.Os resultados confirmam a proposta de Bisol (1989) acerca da existência de apenas um elemento vocálico na representação mental dos aprendizes, tendo em vista o expressivo número de reduções na escrita realizadas nas séries iniciais. A gradual apropriação dos ditongos na escrita, bem como a emergência, na oralidade, de sequências [aj], [ej] e
[ow] em sujeitos das turmas de 3ª e 6ª séries, corroboram a possibilidade de esses ditongos emergirem na representação mental a partir do contato dos sujeitos com a escrita. Apontam, ainda, para uma interferência da língua falada na escrita, assim como, uma influência da escrita na oralidade.