O feminino em Tieta e Macabéa
Resumo
Esta dissertação, resultante de um estudo analítico interpretativo das obras Tieta do Agreste, de Jorge Amado, e A hora da estrela, de Clarice Lispector, tem por objetivo
investigar a forma como a identidade feminina é retratada nas obras. Nessa perspectiva, baseia-se na Teoria Crítica da Sociedade e na Sociologia Literária: a primeira sustentada por autores como Walter Benjamin e Theodor Adorno; a segunda, por Antonio Candido e Alfredo Bosi. Ambas as perspectivas evidenciam a importância do contexto histórico para compreensão da obra, articulando os elementos subjacentes ao texto com o ambiente ficcional das narrativas. Dessa
maneira, mediante a análise das personagens Tieta e Macabéa, será questionada a forma como se apresenta a identidade feminina na década de 1970. No primeiro momento, analisa-se o contexto histórico em que estão envolvidas as narrativas, logo parte-se para a análise das obras e protagonistas e, por fim, discute-se a forma como a identidade feminina é estabelecida nas narrativas e socialmente, destacando o principal ponto de aproximação entre as protagonistas no que tange ao feminino. Nesse ponto, buscou-se aporte, principalmente, em Nelly Richard, que discorre
quanto à fragmentação do feminino e aponta a exclusão desse a partir da cultura conservadora presente em grande escala das esferas sociais. Visto que a identidade feminina é subjugada por pré-conceitos embasados na cultura judaico-cristã introjetados pela sociedade, a mulher mantém-se à margem social. Ao analisar a identidade, consegue-se aproximar duas personalidades díspares quando se questiona o feminino. Ainda nesse ponto, discute-se a cultura conservadora que encaminha a sociedade, a qual representada a partir da ficção, possibilita encontrar vestígios da sociedade de 1977, ano de publicação das duas narrativas. As marcas
desse período mostram-se ligadas à exclusão da mulher. A identidade tratada como elemento totalizador serve como mais um ponto de submersão da mulher nas esferas sociais. Dessa maneira, entende-se que as protagonistas, assim como a
mulher, estão em busca de espaço; à procura da legitimação da sua identidade.