Alterações químicas e biológicas em solo de área de mineração de carvão submetido a diferentes cultivos

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Data
2006-07-28Autor
Santos, Daiane Carvalho dos
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As reservas de carvão no Brasil atingem 32 bilhões de toneladas, sendo que 89% encontram-se no Rio Grande do Sul. Apesar de importante recurso energético, a extração, o beneficiamento e a utilização do carvão mineral são atividades que originam grandes transformações no solo, principalmente quando a mineração é realizada a céu aberto, causando profundas alterações em suas propriedades físicas, químicas e biológicas. A revegetação restabelece as características originais da área e evita processos erosivos, permitindo a reestruturação do solo. O presente
trabalho teve por objetivo avaliar as modificações de atributos químicos e biológicos de um solo construído em função de diferentes espécies de cobertura vegetal. O estudo foi desenvolvido em um solo construído na área de mineração de carvão no município de Candiota RS. Utilizou-se um delineamento em blocos ao acaso com 4 repetições, com os seguintes tratamentos: Hemártria (Hemartria altissima), Tifton (Cynodon dactilum), Pensacola (Paspalum lourai), Consórcio Hemártria + Amendoim
Forrageiro (Arachis pintoi), Consórcio Tifton + Amendoim Forrageiro e Consórcio Pensacola + Amendoim Forrageiro. Foram realizadas coletas de plantas e de solo, aos 198, 380 e 562 dias de cultivo, respectivamente, para as determinações de matéria seca, propriedades químicas e biológicas do solo. Os resultados foram comparados com análises de um solo natural adjacente a área de mineração. Os resultados permitiram concluir que: os cultivos Hemártria e Hemártria + Amendoim forrageiro no solo construído, foram aqueles que apresentaram os maiores rendimentos de matéria seca, com valores semelhantes à produtividade dessas culturas em condições normais; as aplicações de nutrientes e de calcário na área de cultivo, de modo geral, aumentaram os valores de condutividade elétrica e de sódio
trocável, esses valores apresentaram um decréscimo ao longo do tempo
equiparando-se aos observados no solo natural; após 562 dias de implantação dos diferentes cultivos, os teores de carbono orgânico total e nitrogênio total são muito inferiores aos observados no solo natural, adjacente à área de mineração; os tratamentos com Hemártria, Tifton, Pensacola e Tifton + Amendoim forrageiro, mantiveram os teores de carbono da biomassa microbiana após 380 dias de implantação dos cultivos, superiores aos observados no solo natural; após 562 dias de cultivo: os teores de nitrogênio da biomassa microbiana continuaram abaixo dos
teores determinados no solo natural; a atividade microbiana em todos os cultivos estudados, aumentou com o tempo de construção do solo; a atividade com o cultivo de Tifton + Amendoim forrageiro, foi semelhante à atividade microbiana do solo natural e a intensa liberação de CO2 em todos os tratamentos, aumentou o qCO2 a valores superiores ao observado no solo natural.