O papel da instrução explícita e do treino articulatório, via ultrassom, no desenvolvimento da produção e da percepção da vogal /a/, seguida de consoante nasal, do espanhol rioplatense, por falantes de português brasileiro
Abstract
O presente trabalho tem por objetivo investigar o papel da instrução explícita e do
treinamento articulatório, por meio da ultrassonografia, no desenvolvimento da vogal /a/
da língua espanhola, em contexto de nasalização, por falantes de Português Brasileiro (PB),
nascidos e residentes na cidade de Pelotas - RS, à luz da Teoria dos Sistemas Dinâmicos
Complexos (TSDC). No processo de nasalização ocorre uma complexa interação entre
várias partes do sistema, como prevê a TSDC. Essa interação de diversos componentes
gera uma adaptação, que a teoria chama de auto-organização, no qual os múltiplos
componentes se organizam em torno de atratores. Portanto, o movimento se dá por meio
da interação entre o indivíduo, a tarefa e o meio ambiente. Nesta pesquisa, buscamos
caracterizar, por meios dos sinais acústicos oral e nasal, o processo desenvolvimental da
vogal /a/ do espanhol, em contexto de nasalização, falado por aprendizes de espanhol como
língua adicional. Também investigamos o desenvolvimento da percepção da vogal /a/ no
transcorrer desse processo. Realizamos doze coletas de dados com cinco aprendizes: (i)
três coletas iniciais, antes das sessões de instrução explícita e de treinamento articulatório;
(ii) seis coletas logo após as sessões de instrução e de treinamento, e, por fim, (iii) três
coletas finais. Primeiramente as estudantes realizavam as coletas de produção e,
posteriormente, as de percepção. Dados de produção oral foram igualmente coletados de
monolíngues falantes do português brasileiro (pelotenses) e de uma monolíngue falante de
espanhol (montevideniana), para fins de comparação de parâmetros acústicos. As palavras
investigadas apresentam estruturas silábicas NVN, VN e CVN, sendo N (consoante nasal),
V (vogal) e C (consoante oral). Diante dos dados, analisamos os padrões de fases que
compunham cada produção – ONM, OM, NM, sendo O (oral), N (nasal) e M (murmúrio).
Além disso, realizamos medidas duracionais de cada momento. Os resultados obtidos por
meio da descrição da produção mostraram que a maior diferença entre a vogal nasal /ɐ̃
/ do
PB e a vogal /a/, em contexto nasal, do espanhol se refere a medidas de duração, tanto na
duração total da vogal, quanto nas proporções de medidas das fases que a constituem, sendo
que em espanhol tem duração menor que em PB. No que se refere ao papel da instrução e
treinamento articulatório, pudemos confirmar que, na maioria dos casos, houve progresso
tanto na produção quanto na percepção da vogal /a/ do espanhol em contextos de
nasalidade, após etapas de instrução explícita e treinamento articulatório por meio do
ultrassom.