Fitorreguladores na produção e características físico-químicas de azeitonas e azeites 'Arbequina' no Rio Grande do Sul, Brasil
Abstract
O cultivo da oliveira tem experimentado uma expansão expressiva no Brasil, particularmente em regiões cujas condições edafoclimáticas favorecem seu desenvolvimento e produtividade. Entretanto, a variabilidade climática exerce uma influência determinante sobre o rendimento e a qualidade dos frutos e do azeite extraído, tornando essencial a investigação de fatores que possam mitigar tais impactos. Nesse contexto, foram conduzidos dois estudos independentes, cujos resultados foram sistematizados na forma de artigos científicos. O primeiro teve como objetivo avaliar os efeitos isolados do thidiazuron (TDZ) e do aminoetoxivinilglicina (AVG) sobre a produtividade e a qualidade dos frutos da cultivar ‘Arbequina’ no município de Pinheiro Machado, RS. O segundo estudo concentrou-se na avaliação de azeitonas e azeites cv. Arbequina, colhidos no mesmo estágio fenológico, em diferentes localidades do Estado do Rio Grande do Sul: Canguçu, Dom Pedrito, Encruzilhada do Sul e Vacaria, durante a safra de 2024. No primeiro estudo, foram analisados parâmetros produtivos e biométricos, incluindo produção média por planta (kg planta⁻¹), produtividade estimada (kg ha⁻¹), massa média dos frutos (g), bem como suas dimensões morfométricas (comprimento e diâmetro, em mm). Os resultados indicaram que a aplicação de TDZ, independentemente da concentração utilizada, não promoveu incrementos na produtividade da oliveira. Adicionalmente, a aplicação de AVG resultou em uma redução na produção à medida que sua concentração foi aumentada. Embora diferenças tenham sido observadas nos parâmetros físicos dos frutos tratados com TDZ e AVG, tais variações não demonstraram impacto significativo nos índices produtivos avaliados. O segundo estudo teve como objetivo avaliar a composição das azeitonas e do azeite obtido a partir dessas amostras, avaliando-se parâmetros de qualidade e bioatividade. As azeitonas foram submetidas a análises de conteúdo de compostos fenólicos totais, atividade antioxidante (DPPH) e índice de maturação dos frutos. O azeite extraído foi analisado quanto à acidez livre (expressa em % de ácido oleico), índice de peróxidos (mEq O₂/kg), extinção específica no ultravioleta (UV) nas faixas de 232 nm e 270 nm, Delta K e o teor de compostos fenólicos totais (mg/kg). Os resultados demonstraram que o índice de maturação foi uniforme entre as localidades (2,0), enquanto altitude e precipitação apresentaram diferenças. As altitudes foram: Canguçu (386 m), Dom Pedrito (141 m), Encruzilhada do Sul (432 m) e Vacaria (937 m). A precipitação na semana pré-colheita foi de 0,8 mm, 8,8 mm, 0,0 mm e 31,8 mm, respectivamente. Os teores de fenóis totais nos frutos oscilaram entre 705,76 e 423,76 mg GAE/100 g, e a atividade antioxidante variou de 0,3902 a 0,3713 μmol TE/g. Condições de alta altitude e precipitação pré-colheita prejudicam a qualidade do azeite (Vacaria/RS), enquanto Encruzilhada do Sul apresentou melhor desempenho devido à altitude mediana e ausência de chuvas. Todos os azeites avaliados enquadram-se como extravirgem.