Propagação in vitro, aclimatização e produção de orquídea Oncidium baueri Lindl. em sistemas de cultivo sem solo

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Data
2015-02-26Autor
Rodrigues, Daniele Brandstetter
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A orquídea brasileira Oncidium baueri é comercializada como flor de corte, planta de vaso ou para compor projetos paisagísticos, com alto retorno econômico para o produtor. Para a obtenção de mudas de orquídeas, uma alternativa promissora do ponto de vista comercial e ecológico é a micropropagação, por propiciar ganhos genéticos em populações clonais, além da produção de um grande número de plantas sadias de alta qualidade, em pequeno espaço físico e curto período de tempo. Na fase de produção de plantas adultas, escassas são as informações sobre a adaptação desta espécie a diferentes sistemas de cultivo no estado do Rio Grande do Sul. Uma alternativa promissora ao cultivo em vasos preenchidos com substrato pode ser a adoção de sistema hidropônico, principalmente para atender ao mercado de flor de corte ou para a produção de mudas de raiz nua. Para contemplar estes aspectos, realizaram-se pesquisas no Departamento de Fitotecnia/ FAEM/UFPel, localizado no município do Capão do Leão, RS, cujos resultados são formalizados na forma de três artigos, expostos a seguir. O artigo 1 trata de estudo sobre diferentes concentrações de reguladores de crescimento e substratos para substituição do ágar em meio de cultura para a multiplicação e o enraizamento in vitro de O. baueri. Na fase de multiplicação in vitro, dois fatores experimentais foram avaliados: concentração de benzilaminopurina (BAP; 0, 1,0; 2,0 e 3,0 mg.L-1) e substratos (ágar, vermiculita e fibra de coco) adicionados ao meio MS (MURASHIGE and SKOOG, 1962); e, na fase de enraizamento, concentração de ácido indolbutírico (AIB: 0, 0,5; 1,0 e 1,5 mg.L-1) e os mesmos substratos e meio de cultura prévios. Verificou-se que para a fase de multiplicação in vitro de O. baueri é necessária a utilização de BAP na concentração de 1,0 mg.L-1, e na fase de enraizamento não é necessária a utilização do regulador de crescimento AIB. Em relação aos substratos, a vermiculita não é indicada para substituir o ágar. Porém, a fibra de coco pode ser empregada tanto na fase de multiplicação como no enraizamento in vitro dos explantes de O. baueri. No artigo 2, o foco é avaliação de resíduos agrícolas para aclimatização de O. baueri [S-10Beifort®; casca de arroz carbonizada (CAC); fibra de coco (FC); S-10Beifort® + CAC, na proporção 1:1 (v/v); S-10Beifort® + FC, na 10 proporção 1:1 (v/v); e CAC + S-10Beifort® + FC na proporção 1:1:1 (v/v/v)]. Foram avaliadas as seguintes variáveis: porcentagem de sobrevivência; altura da parte aérea, número de folhas, número de brotos, número de raízes, comprimento da maior raiz. Não houve diferenças significativas entre substratos para todas as variáveis avaliadas e a porcentagem de sobrevivência média foi de 30%. Embora não ocorrendo diferença significativa para todas as variáveis analisadas, considerando-se a facilidade de preparo e a disponibilidade para a região sul do Brasil, o substrato S-10Beifort® apresenta-se como uma alternativa promissora para a aclimatização de O. baueri. Por fim, o artigo 3 relata pesquisa sobre o desenvolvimento vegetativo de O. baueri em dois sistemas de cultivo sem solo (vasos contendo substrato e sistema hidropônico do tipo NFT). Foram avaliados mensalmente a altura de parte aérea, o diâmetro do pseudobulbo, o número de brotações e, ao final do período de 11 meses, a massa seca da parte aérea e das raízes. Os resultados indicam que o sistema de cultivo em vasos contendo substrato propicia maior crescimento e desenvolvimento vegetativo da orquídea do que o cultivo hidropônico do tipo NFT. As diferenças entre os sistemas surgem a parir do quinto mês (abril) para altura de planta, e do oitavo mês de cultivo (julho) para número de brotações. Frente a esta conclusão, sugere-se que pesquisas adicionais sejam realizadas no sentido de testar outras variantes do sistema.
