A reinvenção do eu: desdobramentos do fenômeno mnemônico em Dois irmãos e O Vale da Paixão.
Resumo
Esta Dissertação de Mestrado analisa a formação das identidades dos narradores protagonistas dos romances Dois irmãos (2000), de Milton Hatoum, e O Vale da Paixão (1998), de Lídia Jorge. São eles Nael e a filha de Walter Dias,
respectivamente. Os narradores se servem da memória como instrumento principal para (re)construir identidades silenciadas e excluídas da narrativa familiar. Empenham-se, então, em um trabalho narrativo de retrospecção, mobilizando memórias e agenciando diversas vozes em seus discursos. Para esta investigação fez-se necessário, portanto, realizar uma discussão prévia acerca dos aspectos teóricos que estruturam a pesquisa, partindo-se de um aporte teórico antropológico e
sociológico. Sendo assim, delimitou-se a noção de identidade e em seguida analisou-se o fenômeno mnemômico, conceitos chave que se tornam definições de trabalho. Em seguida, foi observada como a memória é manipulada pelos narradores: como apresentam as suas memórias e como utilizam outras memórias para compor o próprio discurso e a própria história. Adiante, verificou-se como se relacionam memória e identidade sob o ponto de vista teórico, percebendo-se que essa ligação se realiza por meio da narração, analisada na última parte da pesquisa. O estudo permite concluir que a memória é uma fonte incontornável para a formação identitária, pois possibilita que o sujeito narre a própria história atribuindo novos
significados às experiências vividas, o que dá suporte a uma nova configuração identitária.