| dc.description.abstract | A partir do filme Passagem para a Índia discuto os efeitos dos discursos que constituíram o processo de colonização e fabricaram o colonizado como o ‘Outro’ a ser civilizado pelo ente
chamado Europa. Nesse sentido, o filme se presta a uma análise da constituição das identidades subordinadas pelo colonialismo e, ao mesmo tempo, reconstrói a genealogia do discurso colonizador. Destaco também os efeitos da colonização tanto para o colonizado como para o próprio colonizador. Utilizo como ferramenta teórica o conceito de 'Zona de Contato', de Mary Pratt, explorando a idéia de colonização como co-presença de culturas, de suas interações e de seus choques. Nas Zonas de Contato tanto colonizado quanto colonizador se misturam
assimetricamente; não se confundem, mas confundem-se, assustam-se, ficam mutuamente
perplexos. Procuro mostrar que foram (são) os europeus que ficaram (ficam) muito mais
assustados nas Zonas de Contato do que nós — o “resto do mundo” — ficamos sob sua
dominação. Por fim, defendo a necessidade de construir um outro discurso, que se mova com
uma outra sensibilidade e que leve em conta as diferenças e suas formas de produção. Isso
talvez ajude a produção de políticas contra as antigas e atuais formas de dominação e de
exclusão social. | pt_BR |